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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Você tem tempo para gerenciar o seu tempo?

Existem muitos mitos acerca da administração do tempo: há pessoas que acham que administrar o tempo é programa a vida nos mínimos detalhes, por isso o que parecia ser a solução, torna-se uma camisa de força. Por outro lado, há pessoas que adoram viver perigosamente, pois acham que o trabalho sai melhor se realizado no último minuto e com aquela adrenalina e pressão. Esse é o mito de "empurrar com a barriga" e deixar tudo para depois. Há ainda aqueles que acham que gerenciar o tempo só se aplica à vida profissional, sempre adiando coisas a serem feitas.

Na busca da eficiência e eficácia, temos utilizado várias ferramentas que nos auxiliam na organização de nossa vida pessoal e profissional. Já usamos bilhetes, litas, calendários, agendas eletrônicas, smartphones, entre outros. No entanto, esses instrumentos não conseguem nos auxiliar verdadeiramente já que temos que conviver com imprevistos, novidades e mudanças. Volta e meia nosso planejamento vai por "relógio" abaixo.

O desafio, portanto, não é mais administrar o tempo, mas a si próprio.

- Você consegue deixar o celular desligado durante um treinamento ou reunião e só ligá-lo nos intervalos?
- Você consegue evitar sua participação em reuniões onde sua presença é desnecessária?
- Você consegue cumprir seu horário de almoço, mastigando bem os alimentos?

A maioria de nós responde não a essas três questões.

Afinal, celular, reuniões e almoço são urgentes ou importantes? Urgente significa que a atividade exige nossa atenção imediata. É agora! As coisas urgentes se impõe a nós. Um telefone que toca é urgente. A maior parte de nós não consegue admitir a hipótese de simplesmente deixar o telefone tocar. Você pode levar horas preparando um relatório ou vestir-se com esmero para fazer uma visita de negócios. Se o telefone toca enquanto você estiver lá, normalmente ele terá prioridade em relação à sua visita. É mais fácil você ficar esperando alguns minutos no escritório do que quem está do outro lado do telefone esperar.

Assuntos urgentes normalmente são óbvios. Eles nos pressionam: insistem para que alguma providência seja tomada e às vezes são agradáveis, fáceis, divertidos de resolver, porém com frequência não são importantes.

A importância tem a ver com resultados: deve contribuir para nossa missão, valores, objetivos e metas. Nós reagimos a questões urgentes. As questões importantes que não são tão urgentes exigem mais iniciativa e proatividade. Se não temos ideia clara do que é importante, dos resultados que pretendemos em nossas vidas, caímos na mera reação do que é urgente.

Dessa forma, temos quatro possibilidades: o que é importante e urgente; o que é urgente, mas não é importante; o que não é nem urgente nem importante; e o que é importante, mas não necessariamente urgente.

No primeiro caso, importante e urgente: temos como resultados o estresse, o esgotamento, administração apenas por crises e sempre "apagando incêndios". Dizemos que é a administração "bombeiro". O que é importante tanto quanto urgente exige atenção imediata, por isso é crise. Estressa, sufoca pois acabamos virando escravos de problemas.

No segundo caso, urgente e não importante: os resultados são o foco no curto prazo, aqui e agora. Também administração por crises, relacionamentos superficiais e quem emprega bastante essa possibilidade considera planos e metas um esforço inútil.

No terceiro caso, nem urgente e tampouco importante: significa total irresponsabilidade pois torna a pessoa dispersa, com baixíssimo poder de concentração e total dependência dos outros. Por que, ás vezes, tendemos a utilizar essa possibilidade? Porque algumas pessoas vivem esmagadas pelos problemas dia após dia e seu único alívio encontra-se em atividades denominadas de "fuga", para se esconder do problema.

O último caso, importante e não urgente: nos fornecem perspectivas, visão de futuro, equilíbrio, disciplina, controle sobre a própria vida e redução de crises. Todavia, não é fácil chegar lá. Para que isso ocorra, teremos que começar a dizer não e pensar um pouco mais em nós e em nossos valores.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Resiliência: Superando Adversidades em Situações de Crise

Ao sair para trabalhar pela manhã, o seu carro não funciona; você não recebeu uma informação importante para compor aquele relatório que tem que entregar nos próximos dez minutos; há rumores de que sua empresa será adquirida por outra, colocando em risco a sua permanência no emprego.

Como você reage a cada uma das situações expostas?

As adversidades e os eventos negativos em nossas vidas não seriam tão desagradáveis se pudéssemos interrompê-los quando eles ocorrem ou ao menos conseguíssemos nos antecipar a eles para, dessa forma, estarmos preparados para enfrentá-los quando ocorressem.

Vemos as mudanças como sendo negativas quando não estamos preparados para predizê-las, quando não gostamos de suas implicações e quando nos sentimos despreparados para os seus efeitos. Assim, um fator crítico que afeta nossa percepção de uma mudança como sendo positiva ou negativa é o grau de controle que acreditamos poder exercer sobre o ambiente que nos cerca ou quando ela atende a algumas de nossas expectativas como sendo corretas e necessárias.

O modo como as pessoas reagem ao estresse causado por uma mudança se altera conforme a percepção própria do momento de crise. Enquanto algumas pessoas tendem a ver primeiramente as implicações perigosas e negativas da situação, uma outra parcela foca sua atenção na busca de novas oportunidades.

Desde que as mudanças raramente ocorrem de um modo lógico e ordenado como muitos de nós gostaríamos que fosse, a tolerância pela ambiguidade fica prejudicada já que a mudança passa a ser percebida como algo não natural, desnecessário e desagradável, fazendo com que muitos se sintam inseguros sobre si mesmos e sobre suas próprias habilidades em gerenciar a incerteza.

E um dos itens que mais contribui para a incapacidade de tolerar a ambiguidade e as incertezas é a forma como lidarmos com a adversidade pois geralmente adotamos o modelo social baseado no drama, que é a manifestação de mecanismos de defesa como: negação, distorção da realidade, frustração e desilusão, o que chamo de viver no “piloto automático” já que as respostas que damos às incertezas são sempre as mesmas.

Já a pessoa que sabe lidar com a adversidade é vista, geralmente, como alguém fria, o que é uma percepção enviesada da situação pois como ela não gera respostas baseadas em drama, pode ser vista como fria, calculista e desprovida de emoções. Na verdade, essa pessoa possui emoções e sabe lidar com as adversidades, ela apenas não se deixa contaminar pelo inconsciente coletivo.


É a própria presença da adversidade que propicia o surgimento de soluções criativas para a adaptação. Isso significa que, diante da adversidade, certos indivíduos mobilizam um conjunto de recursos dos quais, muitas vezes, não tinham consciência anterior ao momento do enfrentamento,  cujo efeito é potencializador do crescimento e enriquecimento pessoal e que, na ausência da adversidade, não teriam emergido.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Brincar é coisa de gente grande!!!


Incorporar atividades lúdicas ao cotidiano é fundamental para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo não só de crianças, mas também de adultos; além de combater o estresse e contribuir para aumentar a criatividade, diversão faz bem para a saúde do corpo.

Em 1º de Agosto de 1966, dia em que o psiquiatra Stuart Brown começou a trabalhar como professor da Faculdade de Medicina de Baylor, nos EUA, Charles Whitman, de 25 anos, subiu ao topo da torre do campus da universidade e atirou em 46 pessoas. O estudante de engenharia, ex-atirador de elite do corpo de fuzileiros navais da marinha, era a última pessoa da qual se esperaria tal comportamento. Brown foi indicado para investigar o acidente. Posteriormente, ao entrevistar 26 assassinos condenados, incluindo Whitman, ele descobriu que a maior parte deles tinham dois pontos em comum: eram de famílias violentas e raramente (ou nunca) brincavam quando crianças.

Nos 42 anos seguintes Brown entrevistou 6 mil pessoas sobre a infância de cada uma. Seus dados sugerem que a falta de oportunidade de participar de atividades lúdicas desestruturadas (sem regras definidas) pode fazer com que crianças se transforme em adultos desajustados e infelizes. Brincadeiras "livres"  são fundamentais para a adaptação social, controle do estresse e construção de habilidades cognitivas e capacidade de solucionar problemas.

A novidade nas conclusões é que cada vez mais especialistas estão constatando que, mesmo depois que crescemos, nunca é tarde para começar a reservar um espaço na agenda para divertir-se. "Pesquisas recentes indicam que atividades lúdicas são importantes não só para o desenvolvimento cerebral e psíquico, mas também para a saúde mental e física dos adultos; gente grande que não se diverte está mais vulnerável aos efeitos do estresse e ao risco de adoecer", diz o biólogo evolucionário Marc Bekoff da Universidade do Colorado, nos EUA. Segundo ele, excluir esse tipo de atividade do dia a dia costuma contribuir de forma decisiva para que as pessoas se tornem infelizes e exaustas sem que entendam exatamente o porquê de se sentirem assim.

Na construção de programas de treinamento e desenvolvimento, a inclusão de atividades lúdicas pode contribuir decisivamente não apenas na incorporação dos conceitos como também na socialização e na forma mais humana de interação entre as pessoas.  Isto tende a ocorrer porque são nos momentos lúdicos que muitos conseguem "relaxar" devido a adoção de comportamentos sem artificialismos, sem "máscaras" bem como a descoberta de que por trás do papel de colega de trabalho as outras pessoas são seres humanos acima de tudo.

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